Tweedy would later explain his fascination with The Conet Project to Chicago Tribune music critic Greg Kot: “There is nothing more abstract to me than the idea of a country. These solitudes exist so apart from one another in this sea of white noise and information. And the beautiful thing is they keep transmitting to each other in the hope that somebody is going to find them,” he said. “And the beauty is that people still do, still find some meaning in another person, in a relationship, find some way to communicate, even though more often than not it’s in a way that’s not what they intended. Because some communication is better than giving up or not communicating at all.”
em A Decade of Wilco’s Yankee Hotel Foxtrot: Part One | American Songwriter
“Yankee Hotel Foxtrot foi lançado em abril de 2002, mas para entender como um disco aparentemente amaldiçoado virou um dos melhores discos da década, é preciso saber o que aconteceu antes do seu lançamento: da gravação cercada de otimismo até a ruptura de contrato com o selo Reprise, a data de lançamento prevista pra um fatídico 11 de setembro de 2001, o streaming do disco antes de ser lançado (quando a internet era bem diferente do que é hoje) e a saída de Jay Bennett, integrante fundamental na elaboração do trabalho (tudo isso foi registrado por Sam Jones no documentário I Am Trying To Break Your Heart, imperdível).
Na realidade isso não mudou a essência do disco, ele já estava pronto. Toda a confusão serviu pra chamar a atenção das pessoas e transformar o álbum numa espécie de marco da indústria musical, mostrando que tinha algo de muito errado na relação das gravadoras com as bandas. Afinal, como um disco rejeitado por um selo acaba sendo lançado por outro do mesmo grupo? Sim, a Warner pagou duas vezes pelo disco que não gostou mas acabou gostando. E como explicar para as gravadoras que até hoje derrubam sites e processam usuários por pirataria quando, mesmo tendo disponibilizado o álbum em seu site oficial antes do lançamento, Yankee Hotel Foxtrot foi o mais vendido da discografia da banda? Errr…
E, claro, tem as músicas… porque no final são elas que transformam o disco na maior obra prima do Wilco.
O disco carrega a melancolia americana pós-atentado que ficou marcada como sentimento da década, mesmo tendo sido gravado antes da queda das torres. O medo, a indefinição e a saudade da inocência pré-terrorismo estão registrados, quase como uma previsão de Jeff Tweedy do que vinha pela frente. Até a capa do disco parece ser uma metáfora do atentado mostrando duas torres de Chicago, cidade natal da banda.
Pessoalmente acredito que o que faz com que o álbum conquiste as pessoas é que, além do sentimento geral, ele também traduz todos os nossos sentimentos da fase adulta inicial. A frustração como pessoa, com o mundo, com as escolhas e os relacionamentos, a saudade do que passou, dos colegas de faculdade, de quando a gente perdia noites bebendo, sem se preocupar com contas… Pra mim ele é a trilha sonora perfeita pra quando você se vê tendo que encarar o mundo sozinho, tendo apenas a voz melancólica de Tweedy, o folk-rock descontruído e uns barulhinhos esquisitos para te fazer companhia.
Claro que isso depende de cada um, então todo mundo cria uma história diferente para o álbum. Por isso, para comemorar os 10 anos de lançamento, o Rock’n’Beats reuniu 11 pessoas de diferentes ramos pra transformar em imagem a visão que elas tem de cada música de Yankee Hotel Foxtrot. Curiosamente é a primeira vez que o blog faz um projeto em vídeo e com uma banda que não está com show marcado no Brasil. Mas se você é fã da banda já deve ter se acostumado aos boatos, shows que quase rolaram mas a negociação não vingou, o que me levou a criar uma teoria de que ser fã do Wilco é como torcer pelo time lanterna do campeonato. Você sofre, se desespera, tenta diversas vezes, se irrita, torce loucamente, pensa “agora vai” em várias oportunidades mas nunca sai o gol… E logo, apesar de toda mágoa por mais um boato sem show marcado, você se vê diante do computador esperando começar o streaming de um show ou de um disco novo, mesmo que ele não seja tão bom quanto Yankee Hotel Foxtrot…”
(para o projeto “I need a Kamera”: Yankee Hotel Foxtrot ganha série de clipes em homenagem aos seus 10 anos)
“Well the money’s pouring down and the people all look down,
And it’s floating out of town
I hit the second deck and I spend my paycheck,
And my wife that I just met, she’s looking like a wreck
Casino Queen, my lord you’re mean
I’ve been gambling like a fiend on your tables so green”
(photo by DClemm)
I hate your moustache, Glenn! (photo: Matteo Galli)
“Sensitive Man”, Nick Lowe
Os Wilcos tinham um podcast no esquema cada integrante apresenta um, toca música da banda, do projeto paralelo, dos amigos ou parentes e faz umas piadas… Aí você descobre a voz de cada um (sempre me espanto com a voz de locutor do Mikael), umas músicas novas e alguns fatos da vida, como o irmão gêmeo do Nels.
Já começa bem com Glenn Kotche apresentando o primeiro, mas ouça todos que vale a pena! ;) Infelizmente não lançam um novo há tempos :/
IS WILCO COMING TO BRAZIL? http://iswilcocomingtobrazil.com